Miguel Sousa Tavares, conhecido jornalista, analisou a vitória do FC Porto frente ao Moreirense e a derrota do Benfica frente ao Boavista. No mesmo artigo ainda deixa várias críticas a Sérgio Conceição, Roger Schmidt e Luís Filipe Vieira, antigo presidente dos encarnados. CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR VÍDEO
1Era quase impossível que a 1ª jornada tivesse corrido melhor a Sérgio Conceição (SC): ganhou fora de casa num jogo onde o FC Porto foi simplesmente lastimável, não chegando como desculpa suficiente um campo de reduzidas dimensões; viu o Sp. Braga perder em casa e o Benfica perder miraculosamente no Bessa; e só não fez o pleno por segundos, porque estes absurdos prolongamentos (já lá iremos) salvaram o Sporting de um empate caseiro. E, todavia, a semana decorrida, com a derrota na Supertaça e a vitória em Moreira de Cónegos, revelaram, em minha opinião, um treinador estranhamente à deriva. A ver.
Primeiro: com um meio-campo desesperadamente a precisar de reforços, o FC Porto contratou um jogador que está há três semanas à espera de embarcar para Portugal e outro que está há três semanas à espera de ter lugar no onze, porque SC acha que antes ele “tem de sofrer” e que é melhor apostar em mortos confirmados como Grujic, Eustáquio ou Baró (enfim, Nico González lá jogou uns 15’ contra o Moreirense e pareceu-me mais capaz que os outros, no mínimo). E o mesmo se diga do avançado Fran Navarro, que, sem verdadeiras oportunidades concedidas, já foi relegado… para a bancada, em benefício de um Taremi que está transformado numa inexistência e num Toni Martínez, que, coitado, faz o que pode e que não é muito.
Segundo: depois do regresso de João Mário, após uma longa e inexplicável lesão, quando a equipa voltava a ter um lateral-direito, após inúmeras experiências falhadas de SC, eis que regressa à desastrosa fórmula de Pepê a lateral-direito – logo paga com o passe falhado que originou o primeiro golo do Benfica na Supertaça e a deficiente cobertura que proporcionou o golo do Moreirense. Aliás, Pêpê, muito estimado pela critica, há muito que deveria ter saído da equipa, de tal maneira o seu futebol é inóquo e perigoso, como é fatal que aconteça num jogador que joga só para si próprio, sempre com a cabeça em baixo e nunca levantada.
Terceiro: as suas substituições – e aqui não há novidade – quase nunca resultam em benefício da equipa, como se viu contra o Benfica ou contra o Moreirense.
Quarto: a condição física da equipa parece deixar a desejar – desapareceu na segunda parte contra o Benfica, depois de uma primeira parte em que esmagou os encarnados (cheguei a ter pena do Bah, frente ao Galeno), e acabou abrigada atrás, mesmo contra um estoirado Moreirense.
Quinto, e isto tem que ver estritamente com o treino: a cobrança de bolas paradas, seja cantos, livres ou até penalties, é simplesmente anedótica e absolutamente inaceitável numa equipe profissional.
E sexto: SC até teve razão nos protestos que ditaram a sua expulsão no jogo da Supertaça – o árbitro assinalou uma falta inexistente sobre Di Maria, cortando um ataque perigoso do FC Porto. Mas isso não justifica o resto. E o resto já não é portismo, é histerismo. É verdade que os árbitros já o tomaram de ponta e nem o deixam respirar, mas foi ele que criou este ambiente. E 24 expulsões no curriculum prejudicam-no a ele, à equipa e ao clube: de que serve um líder regularmente ausente?
2 Tinha lido laudas entusiásticas ao futebol do Sporting e, em particular, ao seu reforço mais caro de sempre, o avançado Gyökeres, mas ainda não tinha tido ocasião de ver o fenómeno com os meus olhos. Foi, pois, com grande curiosidade que me preparei para ver a estreia do Sporting contra o Vizela. Porém, atrasei-me e quando me liguei ao jogo, já havia 25’, o Sporting já ganhava por 2-0, dois golos de Gyökeres, e o comentador de serviço falava de um massacre sportinguista, que apontava para uma inevitável goleada. Mas, durante uma hora de seguida, dos 25 aos 85 minutos, o que vi foi um banho de bola do Vizela ao Sporting. Não foi descontração nem relaxamento sobre a vantagem, como disse Rúben Amorim, foi mesmo uma absoluta superioridade no futebol jogado e exibido. E só 8 inexplicáveis minutos de prolongamento numa segunda parte que não teve qualquer paragem, e ainda mais um acrescento sobre os 8 minutos para ver o desfecho de um último e vitorioso ataque do Sporting, evitaram o que teria sido o justo empate do Vizela.